domingo, outubro 06, 2019

Muito Além do Beliche

           
             
                      Muito além de Beliche

       Hoje foi um dia muito diferente de todos os outros... foi dia de tirar as roupas do armário, não era apenas desmontar o beliche, era dia de despedidas, não apenas das peças de roupas, despedida de cheiros, sabores, cores, detalhes, trincas na parede, mofo  e poeira em determinados cantos, alguns poucos móveis velhos, dia de encaixotar não só os livros, mas também as lembranças,  pois elas quero levar comigo. Mais um ciclo que se encerra, para que outro possa começar. 
            Um dia de se apegar a cada detalhe, cada movimento se remete a uma memória, histórias  construídas na base do amor, do carinho, do respeito e também das brigas. Depois de 34 anos vivendo no ninho, chegou a hora de voar, e preparar outro ninho. São dois lares, duas vidas que se despedem de seus refúgios para que possam criar seus próprios abrigos. 
           É  o dia de sair do lar que eu tive  o maior exemplo para tentar ser exemplo para alguém. É  o dia de pegar minhas maiores referências colocar na caixa e começar a usar. Hoje é  o dia que deixo para trás pegadas e passo a traçar caminhos, estou deixando pra trás apenas uma casa, jamais um lar! Estamos deixando pra trás momentos que fizeram parte da nossa história para criarmos a nossa próprios...
            O dia é  de risos  e também de choro, saber que o novo nos espera, mesmo ainda apegados a tudo que vivemos... Foi dia de relembrar do Beliche e saber que agora é  apenas um quarto vazio cheio de histórias... lembranças boas, saber que estamos indo sabendo que podemos voltar a qualquer momento, pois o amor fica, o amor permanece...
               A vida é  movimento, e o rio corre para o mar, mas nada fica imutável por onde a água passou... duas pessoas constroem uma vida deixando várias outras vidas para trás, para que ao olhar possamos lembrar de onde viemos e para onde vamos... tudo isso é  apenas um ciclo que se fecha.


ps.: Esse texto  foi a forma que encontrei para homenagear a meu Pai, Joel Gomes, mãe da Mary, Rosemere, e ao meu sogro Zagari... vcs são exemplos e nossa maior motivação... estaremos sempre com vcs..

terça-feira, fevereiro 12, 2019

A Beleza do óbvio




















A felicidade, o amor,  as conquistas, 
as amizades, os relacionamentos afetivos,

as vitórias, o desejo realizado, 
tudo isso é obviamente lindo,
assim como é obviamente falso,
a Felicidade é um momento,
o amor é um estado, muitas vezes líquido,
as conquistas nunca são suficientes,
as amizades são volúveis,
os relacionamentos carecem de afeto verdadeiro, 
as vitórias dependem de outras vitórias,
um desejo realizado que nunca se realiza,
um ciclo vicioso de necessidades incessantes,
a vida tem seus axiomas asfixiantes,
caminhos que levam sempre ao mesmo lugar,
onde é mais fácil se perder do que se encontrar.
Enxergar a beleza do óbvio é saber lidar com a frustração,
pois na vida nada é axiomático,
movimentos circulares são como cordas no pescoço,
angústias sacramentadas pela modernidade, 
onde desistir se torna mais incontestável que existir,
doses diárias de placebos confortantes nos são dadas,
nos fazendo acreditar que há uma saída não tão óbvia,
até que todos os movimentos, do astronômico  ao peristáltico,
nos mostre que só há uma obviedade, não tão bela,
nunca descobriremos a saída desse labirinto, 
por mais óbvio que seja viver.

.rm